Por que comemos embaixo da escada?

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Por que comemos embaixo da escada?

Mensagempor leopres » 23 Out 2015, 19:24

Pessoal, achei muito interessante esse texto.

é de uma produtora chamada " Brigadeiro Filmes ".

esse é o link para o texto:



Não sei se o link vai funcionar, dessa maneira que estou colocando, mas vou copiar e colar o texto aqui. É um pouco longo, mas é uma questão muito interessante para se refletir. Parabéns aos autores.

Dias atrás, no final da festa, os noivos se aproximaram de nós e perguntaram se havíamos comido bem no casamento. Respondemos que sim e, de fato, havíamos comido muito bem. Até pudemos repetir o jantar. Eles então perguntaram se estava tudo certo com a mesa que haviam reservado para nós, se conseguimos comer confortavelmente.
Estávamos absurdamente felizes por, não só termos tido tempo para comer, como também, termos uma mesa reservada para que pudéssemos comer com calma e ter uns minutinhos para sentar. Não é muito comum mas, ao mesmo tempo, também não é tão raro termos este pequeno mimo por parte dos nossos noivos, que são pessoas maravilhosas e se preocupam muito conosco. Mas este casal demonstrava uma preocupação extra com a questão da mesa, e ficamos curiosos para entender o porquê disso. Eles explicaram:
Desde o início, era muito importante para nós que vocês tivessem um tempo para descansar, e que pudessem comer como todos os nossos convidados. No contrato, vimos que vocês ficariam, pelo menos, 10 horas conosco, e ninguém é capaz de trabalhar 10 horas sem comer e sem se sentar, ao menos, por alguns minutos.
Quando comentamos com a nossa cerimonialista que, no mapa de mesas, queríamos reservar uma para os fotógrafos e cinegrafistas, ela riu e disse que isso era “totalmente desnecessário. Fotógrafos e cinegrafistas podem comer ali embaixo da escada. Eles não se incomodam.”
Ficamos profundamente decepcionados com a postura de desrespeito da cerimonialista, e este foi um dos principais motivos pelo qual cancelamos o contrato com ela. Escolhemos outra empresa e ficamos surpresos ao ouvir o exato mesmo comentário da nova cerimonialista. Percebemos que parecia ser algo que já fazia parte da cultura do casamento. Até hoje, não tínhamos certeza de que ela iria reservar a mesa para vocês. Ela reclamou disso várias vezes. Disse que era desperdício de espaço.
Voltamos para casa tentando entender por que o fato de sentarmos em uma mesa no cantinho da festa era tão incômodo para as organizadoras do casamento. De fato, é algo que parece já fazer parte da cultura do casamento. Termos uma mesa é uma exceção. Para podermos comer, precisa estar em contrato e, de uns tempos para cá, precisa estar em contrato que vamos comer a mesma comida dos convidados. Caso contrário, estamos sujeito a passar 10 horas de fome ou nos contentarmos com 5cm de um pão de metro. Na nossa curta carreira, colecionamos algumas pérolas bacanas na hora da comida (com a contribuição de alguns amigos):
“Se for se servir no buffet, seja discreto, para que os convidados não fiquem constrangidos.”
“Infelizmente, não tem cadeira, mas vocês podem sentar ali no chão.”
“Você é vegetariano? Come uma saladinha.”
“Come ali que tá mais escurinho, porque fica chato os convidados verem que vocês estão comendo no prato descartável.”
“A gente só pode disponibilizar um prato pra vocês” (de um menu de degustação de 7 pratos) — ou seja, comemos 2 raviólis.
“O nosso buffet é muito caro. Por isso, trouxemos uma marmitinha pra vocês”. (com um pf de um bar próximo ao local do casamento)
“O buffet que eu contratei é muito caro, mas vai ter um arroz com frango lá pra vocês comerem.”
“Os noivos não contrataram alimentação pra vocês. Mas vocês podem pedir uma pizza.”
“Vocês tem que andar sempre com barrinhas de cereal na mochila pra garantir que não vão ficar com fome no casamento.”
“Comida para fornecedores só no final da festa, se sobrar”
(você pode contribuir com esta lista deixando a sua frase nos comentários)
Lendo assim, nessa bela coletânea, é de rolar de rir, mas só quem já passou por isso sabe o quanto cada uma dessas frases parece um soco na cara quando você está lá, há horas trabalhando em pé, cansado e com fome. Isso pra não comentar às vezes em que se negam a nos oferecer água na frente dos convidados. “Água pra quem tá trabalhando é só lá nos fundos.” E, comicamente, “lá nos fundos” é um lugar onde a gente nunca pode entrar, para não “atrapalhar o trabalho do buffet”.
Mas por que somos tratados desse jeito?
Na verdade, a “cultura do casamento” que o nosso noivo descobriu se replica na indústria dos eventos sociais e também no setor de serviços, de uma forma geral. Obviamente, não estamos generalizando aqui mas, o que acontece hoje é reflexo dessa “cultura”.
No Brasil, existe uma clara ideia de separação hierárquica entre contratantes e contratados. Aquele que presta o serviço está em um patamar inferior daquele que contrata. Imagine, por exemplo, um técnico de telefonia ou de ar condicionado que vai até a sua casa. Como clientes, exigimos que o serviço seja bem-feito e que o prestador do serviço seja educado e profissional mas, ao mesmo tempo, quantos de nós oferecem um copo de água, um café, perguntam se o técnico gostaria de usar o banheiro ou se podemos fazer algo para facilitar o trabalho? Pois é, eles são prestadores de serviço tanto quanto nós, e instalar um ar condicionado é, para eles, o que filmar, fotografar, assessorar ou decorar um casamento é para nós.
Culturalmente, parece que, ao contratarmos um serviço, anulamos a pessoa, e estamos ali apenas diante de algum tipo de robô, cuja única função é satisfazer uma determinada necessidade nossa.
Da mesma forma, para alguns noivos (e substitua noivos por qualquer que seja o seu cliente — a relação é a mesma), somos apenas robôs simpáticos (ou não) cuja única função é registrar o casamento. Exatamente como o rapaz do ar condicionado, não passa pela cabeça deles que nós possamos sentir fome, sede, cansaço ou mesmo dor enquanto desempenhamos a nossa função. E não é exatamente uma questão de falta de educação ou de consideração. É apenas algo profundamente enraizado na nossa cultura, do qual, muitas vezes, não nos damos conta. Em uma das nossas primeiras reuniões com um casal, conversando sobre o dia do casamento, a noiva se surpreendeu: “Mas vocês comem no casamento? Ah é, 10 horas é muito tempo pra ficar sem comer nada, né?”
Apesar do caráter “artístico” do nosso trabalho, ele é, quase sempre, associado a um trabalho braçal, que não exige grandes qualificações para ser realizado, ainda que nós saibamos que, para ser um bom profissional da imagem, é necessário muito estudo. Infelizmente, aqui no Brasil, qualquer profissão que não dependa diretamente de títulos universitários é, automaticamente, menosprezada, e isso faz com que, ao sermos fotógrafos, cinegrafistas, garçons, assessores, faxineiros, seguranças, cozinheiros ou qualquer outro tipo de prestadores de serviço em um casamento, estejamos, aos olhos dos outros, em um nível inferior ao dos demais seres humanos presentes no evento.
Por isso, na cabeça da assessora/cerimonialista, os convidados de um casamento luxuoso se sentem constrangidos ao ver esses seres inferiores se servindo da mesma comida que eles, sentando em mesas num mesmo ambiente, utilizando o mesmo tipo de pratos, talheres e guardanapos que eles. Ainda que, provavelmente, a maior parte dos convidados não dê a mínima para o que, quando, onde e de que modo estamos comendo, a “cultura do casamento” determina que a gente deve comer escondido.
Na cabeça do responsável pelo buffet, não somos dignos de comer a mesma comida cara que será servida aos convidados. Por isso, mesmo sendo pagos para nos fornecer a mesma alimentação, eles se negam, e aproveitam para embolsar um dinheirinho extra dos noivos, servindo uma marmitinha, umas coxinhas, um sanduíche de metro ou, simplesmente, nos deixando sem comer, ainda que, com frequência, nós vejamos quilos de comida sendo jogados no lixo ao final da festa. Na cabeça deles, não faz sentido sujar louça conosco. Por isso, nos dão um prato descartável mas, pedem pra gente comer escondido embaixo da escada. Assim, ninguém precisa ficar constrangido por ter pessoas comendo em pratos descartáveis no mesmo ambiente que os convidados. E eu fico imaginando o quanto isso deve ser pior porta adentro. Como devem ser tratados aqueles que ninguém vê, que ficam no backstage do evento? Será que comem? Será que podem tomar água? Será que tem direito a 15 minutos de descanso?
Em países com maior nível educacional, essa ideia de serviçal não existe. Entende-se que todas as funções são vitais para o funcionamento da sociedade, do gari ao médico, e todas elas tem seu valor. Cada cidadão tem seu papel, e as pessoas entendem que, em alguns momentos são clientes e, em outros, são prestadores de serviços. Acima disso, se enxergam como seres humanos desempenhando uma determinada função, realizando um trabalho.
Quando estivemos na Dinamarca, ficamos maravilhados com a forma como as pessoas se relacionam. Fomos até lá para filmar um casamento que aconteceria em um dos hotéis mais chiques da cidade. Chegando lá, mesmo sendo “os filmadores”, o mensageiro do hotel se ofereceu para nos ajudar a carregar o equipamento, ao passo que o noivo, que vinha junto conosco, se recusou a entregar a mala ao mensageiro, dizendo que não havia motivo para que o funcionário carregasse uma única mala tão leve, ainda que ele fosse um hóspede especial. No mesmo casamento, os noivos reservaram lugares colocando plaquinhas com os nossos nomes, e nos colocaram em uma mesa na qual boa parte dos convidados falava português para que, caso não soubéssemos falar inglês, não nos sentíssemos excluídos da conversa no almoço. Ao final, os próprios noivos se ofereceram para nos levar de volta ao nosso hotel.
É essa preocupação com o ser humano que faz toda a diferença nas relações. Aqui, mesmo nos hotéis mais caros do país, é raro um mensageiro que sequer segure a porta para entrarmos. Os manobristas, normalmente, abrem a porta do carro mas, ao nos reconhecerem como “fotógrafos”, viram as costas. As moças do buffet costumam nos servir com a cara fechada. Muitas assessoras torcem o nariz quando fazemos qualquer tipo de pedido, como se fôssemos algum tipo de problema a ser resolvido. Ninguém enxerga o outro como um ser humano que está ali realizando um determinado trabalho, exatamente como ele. Falta empatia de todos os lados. E é daí que vem todas essas situações bizarras que a gente presencia nos casamentos. Estamos todos ali prestando um serviço. E nossos serviços fazem parte de um mesmo evento. Trabalhamos todos para um mesmo fim.
E como eu faço pra não comer embaixo da escada?
No fim das contas, a cultura do serviçal não vai mudar tão cedo. Algumas pessoas vão continuar não querendo que a gente coma a comida dos convidados, algumas assessoras vão continuar não querendo que a gente sente na mesa, alguns noivos vão continuar querendo que a gente coma o pão de metro para eles economizarem o valor do nosso jantar. E, nem sempre vai adiantar apelar para o contrato — que, infelizmente, hoje precisa dizer que os noivos são responsáveis por garantir alimentação (e, se você quiser, a mesma dos convidados). Por mais que exista a cláusula, não dá pra simplesmente chegar na mesa dos noivos e reclamar da comida no meio do casamento. Às vezes, temos que pedir pizza mesmo e fingir que está tudo bem. Mas lembre-se disso quando o buffet pedir aquelas fotinhos/aquele vídeo para divulgação (vingança, muahaha — brincadeira).
De uma forma geral, a assessora é a coordenadora do evento. Em caso de problemas com o buffet, é pra ela que você tem que mostrar o contrato e exigir que se cumpra o combinado. Se ela for o problema, você pode conversar direto com o buffet, mas, às vezes, é melhor deixar pra lá e não criar caso na hora. Com alguns casais, você pode conversar depois e explicar a situação, mas é preciso uma dose de bom senso pra saber como abordar cada caso. É importante relatar porque, como eu disse agora há pouco, tem muito buffet que cobra dos noivos pra servir o nosso jantar mas, simplesmente não serve e embolsa o dinheiro. Nesse caso, é direito do casal receber o dinheiro de volta (e reembolsar o seu jantar) ou mesmo processar o buffet. Se o problema foi a assessora, é bom informá-los para tirá-la da lista de indicações. Se o problema foram os próprios noivos e você tem essa cláusula em contrato, pode cobrar o reembolso da alimentação depois do casamento.
Sobre o local pra comer, a gente começou falando da escada mas, pelo menos pra gente, o lugar não importa muito. Obviamente, no escuro sentados no chão não é a nossa opção preferida mas, não exigimos mesa, até porque tem muito salão que, realmente, não tem espaço para mais uma mesa. O que a gente faz questão é que haja comida, e que seja a mesma servida aos convidados. Pode parecer frescura mas, a verdade é que ficamos traumatizados após comer um arroz e um osso “especialmente preparados para nós” em um dos buffets mais caros de São Paulo e também depois de termos que dividir a duras penas um sanduíche de metro com outras 12 pessoas (pra você que não tem muita noção do que isso significa, dá, aproximadamente, uma fatia e uma mordida pra cada um dos que estavam há horas ali trabalhando). Isso porque a gente come qualquer coisa. Nossos amigos vegetarianos costumam sofrer muito nos casamentos, quando servem só alface ou só três raviólis ou pedem pra eles trazerem uma “comidinha de casa”.
No fim das contas, o que a gente precisa é deixar assegurado de alguma forma os nossos direitos no dia do casamento, e reforçar isso sempre que possível, para que ninguém esqueça. Vale até mandar um lembrete pra assessora na semana do casamento, se for o caso. Se você faz questão de mesa, peça a mesa. Quanto mais a gente se posiciona em relação a isso, mais se torna natural para o buffet, a assessora e os noivos que a gente precisa comer, precisa de um cantinho pra guardar as coisas, precisa tomar água. Quando todo mundo exigir isso, vai se tornar o padrão do mercado.
A segunda coisa e, talvez a mais importante, é que nós precisamos mudar a nossa forma de enxergar os prestadores de serviço. Precisamos tratar o mecânico, o carteiro, o porteiro, a cabeleireira e o motorista de ônibus com o mesmo respeito com que gostamos de ser tratados quando estamos trabalhando. Essa mudança de mentalidade partindo de nós vai se refletir no tratamento que vamos receber no futuro. Como prestadores de serviço que se sentem desrespeitados, é nossa função liderar essa mudança. Somos todos iguais, e o fato de estarmos ali prestando um serviço não nos diminui nem por um segundo sequer, assim como também não diminui nenhum prestador de serviço de nenhuma área.
E como a gente mesmo percebe, quando somos bem tratados, trabalhamos muito mais felizes e damos o melhor de nós para os clientes. Quando tratamos bem aqueles que prestam um serviço para nós, eles trabalham muito mais felizes e dão o melhor de si para nós. Assim, a qualidade dos serviços prestados só tem a melhorar e nós só temos muito mais respeito a ganhar.
Vamos praticar?

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Re: Por que comemos embaixo da escada?

Mensagempor malow » 23 Out 2015, 19:55

“Mas vocês comem no casamento?"
Não, agente aperta um botaozinho e põe no modo "sleep", e agente como só no dia seguinte... :evil:

éééé, aki tem muito disso tambem, infelizmente eu sou desses q tem a barrinha de cereal na mochila. quanto mais "xique" o casamento, menor a chance de jantar. mas felizmente sao raros os eventos onde nao podemos comer alguma coisa. geralmente é falta de tempo que impede um jantarzinho.

como aki é interior, o que acontece é alguns casais querer desconto na hora de fazer contrato, e soltar a frase "mas agente até deixa vcs jantarem se quiserem". eu respondo com um "olha, agente chega as vezes 4 horas antes dos convidados, algum dia algum convidado não quis jantar? pois é imagina nós então..."
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Re: Por que comemos embaixo da escada?

Mensagempor Escalpella » 23 Out 2015, 20:35

Realmente essa questão incomoda... Eu até tenho sorte nos casamentos e sempre perguntam se comemos, etc. Mas também tenho o costume de não comer em casamento, então nem sei se são todos que são legais ou não. Agora, chegar emum lugar e não ter um espaço para colocar os materiais ou uma mesa para sentar, aí eu fico boladão! Não queira ver a minha cara quando acontece isso. Eu não sou de muita delonga e minha paciência é curta :mrgreen: Se não tem lugar eu faço o meu e quem quizer que venha reclamar comigo. Acho que eu com meus 1,90 m falando alto, com cara de Jason, espalhando pra geral que os organizadores não tem um espaço para uma pessoa, imagina o resto do serviço o que não é! Se tem decuido com lugar para sentar, imagina com os alimentos, vasilhas que vão servir, com a cozinha (risos...).

Na boa, acho que eles já presentem tudo isso quando olham para a minha cara :mrgreen: Eles já devem dizer: Po, esse aí se bobiar explode essa P... toda (risos...). Eu uma vez, filmando um casamento aconteceu... Eles não sabiam, mas o casamento era da minha cunhada, a mulher do buffet bateu a porta na nossa cara e da mãe da noiva. Nem precisou eles falarem nada! Eu fui lá na cozinha e esculaxei a mulher, chamei o dono do buffet e a acessora e foi meia hora falando no ouvido deles. Resumindo, mandaram a mulher se arrumar e esperar no carro até a festa acabar. Mas eu falei o certo, sem arrogância ou querendo ser mais que alguém, que aliás odeio isso! Mas ser humilhado por pessoas de mal humor é sacanagem! Disse a eles que ali era a imagem deles que estava em jogo. Eles trabalhando o dia inteiro arrumando, organizando e vir uma pessoa e bater a porta na cara dos outros só porque achava que era um convidado qualquer ou era esposa e família da equipe de filmagem? Na verdade era, mas também eram os donos da festa :mrgreen:

Eu até evito contato com buffet... Mas lugar para sentar e colocar equipamento eu não abro mão! Se não tiver, eu faço o meu lugar e já avisado BEM ANTES AOS NOIVOS. Eles atrasam para arrumar, atrasam para começar a cerimônia, sempre passam da hora combinada e não acham feio, aí vai ser feio pedir um lugar? Fala sério! (risos...).

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Re: Por que comemos embaixo da escada?

Mensagempor malow » 22 Nov 2015, 22:16

Ultimo evento a cliente fez uma mesinha com café pra nós antes do evento começar, pra gent nao ficar "vazio", jah que o evento ia ser longo. e tambem jantamos, e ainda avisou que iria ter sorvete demadrugada.

exstem clientes e clientes...
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Re: Por que comemos embaixo da escada?

Mensagempor langsdorff » 23 Nov 2015, 19:18

Pensei em não esticar - uma diária típica precisa ter parada. Qualquer uma com mais que 4 horas.
Mas não dá pra não esticar!!! É questão de planejamento e precisa estar claro isso até em contrato se for o caso, principalmente quando o cliente não tem noção (aqui, poderia bem entrar um "sem noção") que as relações de trabalho são iguais, mesmo num evento - eu já tive problema com isso em local sem acesso nem recursos que não os do próprio local, foi resolvido a contento mas o estresse não pode fazer parte do job. Atrás do fraque impecável ou do vestido empetecado tem pessoas que costumam brigar e muito pelos seus direitos - não importa de qual lado do balcão eles estejam, qualquer sonso reconhece direito, a extorsão bandida do profissional mal intencionado ou o desrespeito à lei.
Job em empresa é outra coisa, você precisa parar, fazer refeição decente. Set planejado precisa ter esse respeito com todos os envolvidos, não importa o aperto nem o deadline, se é agência, se é direto, social incluso, e a festa é um set. Se for muito desesperado, que se faça rodízio na equipe, que se garanta catering ou um quilão que pode ser até simples mas que não tire o apetite nem a dignidade de ninguém - tem que ser bom pro auxiliar e pro diretor, em suma. Evento não tem muita alternativa, eu sei, mas tem que planejar, discutir, acertar, tratar, porque o combinado jamais foi caro e isso pode começar na hora da contratação, tema ao qual se deve dar a mesma importância que tem celebrante ou a celebridade convidada.
Com todo o respeito aos cerimonialistas, buffets, sogros, parentes, tias e amigas do peito, celebrar é um ato social. Nem vou falar da competência altamente duvidosa de alguns "cerimonialistas" que não merecem o "apelido". Relegar a segundo, terceiro ou quarto plano as mínimas regras de convivência social é chutar milênios de civilização! Vou arriscar, sem querer polemizar: fazer de conta que isso é "detalhe secundário", que profissional em evento é pessoa de segunda classe, soa como herança escravocrata mal digerida, por pessoas sem classe, não importa o tamanho da conta bancária - bandido e político corrupto também é arrogante e tem conta gordinha, muitas vezes até fora do país. É, sim, um problema cultural que nós, do lado de cá do balcão, principalmente os empreendedores, temos que combater com a "sutileza" do profissionalismo e a transparência nas relações com os clientes. Tempo para os intervalos, duração desses intervalos, detalhes de alimentação, banheiros, local seguro para equipamento - se a noiva sonha, o cerimonialista $onha com o pacote que vai receber e o buffet conta as azeitonas, alguém tem que ficar com pe no chão. Duvido que um cliente se recuse a discutir essa questão durante uma contratação - por mais que ele seja um "organizador" pretensioso ou um babacão preconceituoso, ele não vai abrir isso ao vivo... Isso seria reconhecer, ao vivo, na tua cara, uma coisa que socialmente ele não pode admitir - preconceituoso, eu?!
Pra terminar: vamos olhar o nosso lado. Toda planilha que eu faço leva em conta transporte, alimentação, estadia etc. tem que fazer parte dos custos. Vai sair na faixa, na cortesia? Melhor :D :D :D , mas, convenhamos, também nós temos que pensar. OK, a produtora sabe que vai ter problemas no buffet tal, ou não sabe o que vai encontrar? Que se providencie um lanche decente para todos da equipe (uai, diretor não come? :D :D ) e que se reserve horário pra isso!

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Re: Por que comemos embaixo da escada?

Mensagempor oxid iron » 24 Nov 2015, 09:55

langsdorff escreveu:... Pra terminar: vamos olhar o nosso lado. Toda planilha que eu faço leva em conta transporte, alimentação, estadia etc. tem que fazer parte dos custos. Vai sair na faixa, na cortesia? Melhor :D :D :D , mas, convenhamos, também nós temos que pensar. OK, a produtora sabe que vai ter problemas no buffet tal, ou não sabe o que vai encontrar? Que se providencie um lanche decente para todos da equipe (uai, diretor não come? :D :D ) e que se reserve horário pra isso!...


Isso é o que seria a atitude do bom senso.
A verdade é que, "todos nós" esperamos que os noivos nos ofereçam ou que o buffet nos dê de cortesia a comida. Raramente ou nunca pensamos em assumir que isso também faz parte da nossa conta.
Não pode ser culpa do buffet os problemas que enfrentamos de: risco de ficar 12 horas sem se alimentar, falta de tempo pra lanchar, falta de um espaço pra guardar a nossa tralha, falta de local ou cadeiras para nos sentarmos e etc.

Afinal, todos os fornecedores de um casamento estão no mesmo barco, que por sua vez, cada um com os seus obstáculos e desafios para enfrentar. Não acho justo colocar a culpa, muito menos cobrar de um colega e fornecedor o que deveria ser de nossa responsabilidade.
Uma coisa é fazer uma cortesia vez ou outra, de forma esporádica para um colega da área. Mas em todos os eventos? Me sentiria um sujeito "folgado".
Particularmente, no que diz respeito ao meu trabalho, prefiro cobrar por tudo o que faço. Principalmente porque valorizo o meu trabalho.
Qual é o preço do buffet por pessoa? Nos quais eu trabalho, o preço médio é de 300 reais. Mas mesmo que custe 30 reais. Independente do valor, calculemos. Se somarmos a equipe de fotógrafos e de cinegrafistas chega a 6 pessoas... Se a banda e equipe de som e luz se compõe em mais 10 pessoas... Se a equipe de cerimonial somam mais 5 pessoas, ... No total será um baita prejuízo. Eu não gostaria de pagar por essa conta. Alguém aqui se dispõe a pagar?
Por isso acho discutível culpar o buffet por todos os problemas que enfrentamos de falta de conforto.

Ou seremos organizados, ou não. Uma coisa é certa. Sofreremos com os riscos, se quisermos. Não somos as únicas vítimas dessa situação.
Talvez estejamos mal acostumados, não?

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Re: Por que comemos embaixo da escada?

Mensagempor langsdorff » 24 Nov 2015, 12:28

langsdorff escreveu:Pensei em não esticar - uma diária típica precisa ter parada. Qualquer uma com mais que 4 horas.
Mas não dá pra não esticar!!! É questão de planejamento e precisa estar claro isso até em contrato se for o caso, principalmente quando o cliente não tem noção (aqui, poderia bem entrar um "sem noção") que as relações de trabalho são iguais, mesmo num evento - eu já tive problema com isso em local sem acesso nem recursos que não os do próprio local, foi resolvido a contento mas o estresse não pode fazer parte do job. Atrás do fraque impecável ou do vestido empetecado tem pessoas que costumam brigar e muito pelos seus direitos - não importa de qual lado do balcão eles estejam, qualquer sonso reconhece direito, a extorsão bandida do profissional mal intencionado ou o desrespeito à lei.
Job em empresa é outra coisa, você precisa parar, fazer refeição decente porque é assim que se faz. Set planejado precisa ter esse mesmo respeito com todos os envolvidos, não importa o aperto nem o deadline, se é agência, se é direto, social incluso, e a festa é um set. Se for muito desesperado, que se faça rodízio na equipe, que se garanta catering ou um quilão que pode ser até simples mas que não tire o apetite nem a dignidade de ninguém - tem que ser bom pro auxiliar e pro diretor, em suma. Evento não tem muita alternativa, eu sei, mas tem que planejar, discutir, acertar, tratar, porque o combinado jamais foi caro e isso pode começar na hora da contratação, tema ao qual se deve dar a mesma importância que tem celebrante ou a celebridade convidada.
Com todo o respeito aos cerimonialistas, buffets, sogros, parentes, tias e amigas do peito, celebrar é um ato social. Nem vou falar da competência altamente duvidosa de alguns "cerimonialistas" que não merecem o "apelido". Relegar a segundo, terceiro ou quarto plano as mínimas regras de convivência social é chutar milênios de civilização! Vou arriscar, sem querer polemizar: fazer de conta que isso é "detalhe secundário", que profissional em evento é pessoa de segunda classe, soa como herança escravocrata mal digerida, por pessoas sem classe, não importa o tamanho da conta bancária - bandido e político corrupto também é arrogante e tem conta gordinha, muitas vezes até fora do país. É, sim, um problema cultural que nós, do lado de cá do balcão, principalmente os empreendedores, temos que combater com a "sutileza" do profissionalismo e a transparência nas relações com os clientes. Tempo para os intervalos, duração desses intervalos, detalhes de alimentação, banheiros, local seguro para equipamento, tudo isso tem que ficar claro desde o primeiro contato - se a noiva sonha, o cerimonialista $onha com o pacote que vai receber e o buffet conta as azeitonas, alguém tem que ficar com pe no chão. Duvido que um cliente se recuse a discutir essa questão durante uma contratação - por mais que ele seja um "organizador" pretensioso ou um babacão preconceituoso, ele não vai abrir isso ao vivo... Isso seria reconhecer, ao vivo, na tua cara, uma coisa que socialmente ele não pode admitir - preconceituoso, eu?!
Pra terminar: vamos olhar o nosso lado. Toda planilha que eu faço leva em conta transporte, alimentação, estadia etc. tem que fazer parte dos custos. Vai sair na faixa, na cortesia? Claro que é muito melhor :D :D :D , mas, convenhamos, também nós temos que pensar. OK, a produtora sabe que vai ter problemas no buffet tal, ou não sabe o que vai encontrar? Que se providencie um lanche decente para todos da equipe (o meu incluso - uai, diretor não come? :D :D ) e que se reserve horário pra isso!

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(editei alguns trechos que ficaram sem conclusão ou que foram deturpados pelo corretor automático...)
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Re: Por que comemos embaixo da escada?

Mensagempor Escalpella » 24 Nov 2015, 15:41

Sinceramente, por isso que admiro cada dia mais trabalho em estúdio apesar de trabalhar com evento social...

Achei perfeito a resposta do langsdorf e do oxid realmente a conta sobra para algum lado. Só que a questão de organização do evento cabe a uma pessoa e é exatamente essa que deve prever ( ou perguntar) como os noivos ou contratantes estão programando fazer sua festa. Se tem foto e filmagem é lógico que terá que ter um espaço para tal equipe, ou eles acham que vai ser filmado e fotografado pelo google earth :mrgreen:

Quanto a comer nem LIGO e na verdade nem como pois não confio. Já cheguei de um trabalho e depois fui para outro sem comer e passei de 14 horas sem comer. Foram só dus maçãs.

Espaço para equipe, lugar para sentar, é questão de organização e quem organiza deve prever que terá equipe de foto e filmagem, músicos, DJ... Se cada um tiver que organizar sua parte no evento para que serve a cidadã ou cidadão contratada para organizar?

É complicado... Por isso jogo tudo nas costas do contratante. Se tem lugar, mais tempo cobrindo o evento e se não tem, eles tem que esperar eu ir até o carro da equipe pegar baterias, ou algo que se faça necessário. Ou temos que deixar de bobeira para sermos roubados porque temos que dar o nosso jeito e ficar 100% de prontidão? Por isso digo: É complicado...

Grande abraço amigos

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Re: Por que comemos embaixo da escada?

Mensagempor VPVideo » 24 Nov 2015, 20:19

Eu entendi perfeitamente o sentido que o texto deu ao assunto e o que está afirmado nele é correto, mas, é uma questão de pontos de vista.
regra de um lado exceção de outro, eu pergunto.
Que prestador de serviços para casamento come em mesa no salão?
Que prestador de serviços para casamento (com exceção dos " super protegidos") comem do jantar?
E comer do jantar e ir embora logo após ou quase após não é algo meio que sem sentido?
Via de regra, fornecedores comem na cozinha!
Via de regra comem salgados e refrigerante!
Qual é a hora correta para comer, se um prestador de serviços em foto e vídeo têm intensa atividade na atenção a captação?
Comem antes do registro no bolo? Ainda é cedo.
Comem depois do registro do bolo? Não, tem muito assunto ainda na festa.
Comem depois dos cumprimentos, discursos e dança, ou depois da abertura da pista? Não, tem assunto pra captação ainda.
Então vamos comer depois que o buquet for jogado, bem, acho que está na hora de ir embora ou quase.
Mas como eu falei, há pontos de vista.
Em profissões regularizadas é comum ter regras para essas coisas, mas não é o caso talvez, teria que pesquisar como funciona em outros paises.
Pode-se dividir equipe, enquanto um lancha o outro cobre, uma opção viável.
Enfim, num evento bem coberto, bem pago que requer muita atenção para se buscar os melhores takes e cliques jornalísticos, sobra pouco ou nenhum tempo para ficar de barriga cheia e cheio também ficar de preguiça pela digestão.
Difícil achar a formula ideal não é?
Penso que cada um deve colocar na contratação aquilo que considera importante. O profissional entende que ele e sua equipe devem jantar na festa, então só feche com os clientes que atendam essa exigência, do contrário vai sempre ficar aquele sentimento de maltrato no entender do contratado, já os que pensam diferente comem na cozinha um lanche, até porque, como escrevi acima, jantar para continuar trabalhando não faz sentido, e jantar para ir embora é imposição de atendimento.
Fato que o tratamento é na grande maioria das vezes pouco profissional por parte dos coordenadores, mas, não saber o lugar da gente e querer ser o único fornecedor a ser tratado como convidado, é complicado né?.

paimvideo
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Re: Por que comemos embaixo da escada?

Mensagempor paimvideo » 22 Dez 2015, 13:41

Realmente, é uma questão delicada...

O que mais me chateia, não é a questão do contratante esquecer da gente.
Geralmente, a pessoa que contrata não faz tantas festas assim, então não se lembra destes detalhes.
Tanto o pessoal do buffet, quanto do cerimonial, é que deveriam prever isto. Afinal, são eles que estarão, antecipadamente, no local da recepção e não nós que, muitas vezes, estamos cobrindo várias locações, até chegar na recepção.

É este pessoal, quem deveria deixar um lugar para as equipes de foto, video, som, etc... Não precisa ser no salão, em lugar de destaque (nem embaixo da escada...), mas ter um local, pronto, para a gente fazer uma refeição rápida, só para não desmaiar no meio da pista de dança.

Me impressiona, que muitas dos buffets, tratam a gente como se não existíssemos. Nada de chamar para comer algo, nem oferecem uma aguinha...

Poxa ! Estamos no mesmo barco: trabalhando !
Não vou no evento para encher a barriga. É só uma boquinha... A camaradagem, o coleguismo, pode criar vínculos. Uma mão lava a outra e, um pratinho de salgadinhos negado hoje, pode resultar em uma não indicação, ao falar com outro cliente !!

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Re: Por que comemos embaixo da escada?

Mensagempor alekss » 02 Set 2016, 14:35

Só pensa assim quem já foi fotografo ou filmador... Eu antes de casar fui por uns 15 anos e quando casei reservei uma mesa pra equipe de foto e vídeo. Mas vai da vontade do casal em fazer isso ou não. Somos EMPREGADOS não convidados. E quem achar que é ruim comer em baixo da escada pode comer dentro do carro um pacote de bolacha com uma garrafa d'agua. =D>
Forum eficiente.

Marcos Komka
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Re: Por que comemos embaixo da escada?

Mensagempor Marcos Komka » 21 Nov 2016, 14:32

É muito comum isso acontecer onde os noivos não contratam a equipe "indicada" pelo buffet.
Eu particularmente coloco no meu contrato que o contratante deve providenciar alimentação junto ao buffet ou restaurante para a equipe contratada.
Na hora do fechamento do contrato explico para os noivos como é o serviço e digo que são muitas horas correndo atrás dos noivos o tempo todo e com equipamento pesado e sentimos fome.
Quando você consegue estabelecer um vínculo de amizade com os noivos e surge essa situação de o buffet não querer fornecer alimentação ou água eu chamo o noivo de lado e explico o que está acontecendo, isso se resolve rapidinho porque pelo menos nos buffet's que faço eventos o buffet cobra do noivo por cada membro da equipe, tanto é que o noivo sempre pergunta de quantos membros compõe a equipe.
Como você se sente quando o noivo vem com o contrato e diz que você não cumpriu com o que estava escrito? É mais ou menos assim que o metre, assessor sente-se quando chama ele de lado, para mim é mais vergonhoso para o buffet fazer isso do que nós passarmos por isso.
Na minha opinião particular, isso acabará no dia em que os buffets se derem conta de que fotógrafo e cinegrafista também podem ser clientes em potencial, se eu sou maltratado em um buffet eu não indico ele para ninguém, muito pelo contrário a tendência é falar mau do buffet.
Imagina se todos os fotógrafos e cinegrafistas que passaram por essa situação vexatória expusessem os buffets que praticaram isso, acredito que tem muito mais cinegrafista e fotógrafo do que buffet.
Quando você conversa informalmente com os noivos e explica que essa situação é comum nos buffets eles ficam horrorizados, porque na visão de quem não conhece o ramo de foto e filmagem e buffets acha que todo mundo alegre, feliz, companheiro de serviço no evento quando na maioria das vezes a realidade é bem diferente.
Se todo fotógrafo e cinegrafista colocasse essa situação para os noivos explicasse o que ocorre nestes buffets acredito que o problema diminuiria e muito, porque acredito que tem mais fotógrafos e cinegrafistas do que buffets.

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Re: Por que comemos embaixo da escada?

Mensagempor Marcos Komka » 22 Nov 2016, 10:41

Mais uns detalhes: para ser justo foram raros, mas, alguns buffet's nos trataram muito mas muito bem isso inclusive contribui em muito para a boa execução de nossos serviços; o ideal para nós (na minha opinião) é quando os noivos sentam-se para jantar nós equipe de foto e filmagem também "deveríamos" jantar (não importa aonde - desde que não seja no banheiro) para não perder momento algum do evento, quando há harmonia e interação entre buffet, assessoria, equipe de foto e filmagem tudo fica perfeito e contribui para um excelente serviço prestado aos noivos.
Os noivos que me contratam normalmente me procuram até mesmo com um ano de antecedência, a maioria antes mesmo de escolherem o buffet e pedem informações se eu conheço tal e tal buffet, procuro ser justo e quando somos maltratados no buffet já alerto os noivos, em tal casamento aconteceu isso e isso e dou até mesmo os nomes dos noivos para eles confirmarem o ocorrido na questão de maus tratos para conosco.
Aí entra a questão quando os noivos vão fechar o contrato com o dono, gerente ou alguém que comanda o buffet eles mencionam que no evento (menciono a data e o nome dos noivos) os funcionários trataram mau a equipe de foto e filmagem, mas mesmo assim a equipe deu boas referências do buffet mas mencionou o fato ocorrido, nessa hora gostaria de ser invisível para ver a cara do responsável.
Aí sempre tem aquela desculpa do buffet, são garçons free, assessoria terceirizada e outras desculpas esfarrapadas, daí a meu pedido os noivos deixam bem claro que isso não deverá acontecer no evento deles.
Essa situação muda da água para o vinho, num buffet na região do Ipiranga em São Paulo eu e minha equipe fomos muito mau tratados, tipo quer água vai beber na cozinha, quando chega na cozinha não podemos servir agora e vocês não podem ficar aqui, saiam. Resultado noivos que foram indicados por outros noivos nos contatavam e a gente mencionava que o buffet era bom, barato e servia muito bem, porém, tratava muito mau a gente, imaginem 6 casamentos na hora da contratação mencionarem o que ocorreu com a gente, o metre foi demitido e em um dos casamentos os noivos pasmem, pediram para que a nossa mesa fosse colocada ao lado da mesa deles.
Na minha opinião essa situação só acontece por desinformação dos noivos, porque é algo chocante e repulsivo e quando eu conto para os noivos eles ficam chocados, isso inclusive na minha opinião particular denigre a imagem do buffet.
Também pode ser raro, mas algumas vezes isso tudo ocorre sem os donos e gerentes responsáveis pelo buffet saberem, ou seja, entregam a festa na mão de funcionários que para eles são de confiança, esse contratam free lancer nas diferentes funções do buffet e a festa rola solta e de qualquer jeito, mas mesmo assim se surgir problemas falo para os noivos irem atrás dos proprietários e responsáveis.
E também se for ver pelo lado comercial a maioria quase que absoluta dos buffets cobram dos noivos por pessoa e incluem toda a equipe de foto e filmagem e outros nessa conta, ou seja, cobram por um serviço que foi pago e não prestado? Isso conforme a matéria descrita acima seria embolsar o dinheiro dos noivos.
Entendo também que alguns pseudo profissionais de foto e filmagem mancharam a reputação dos profissionais sérios de nossa área por acharem que são convidados e encarrarem a festa como trabalho/diversão criaram problemas para quem é profissional sério, mas nesse caso tem o outro lado da moeda, cabe ao buffet chamar o noivo e informar o que está acontecendo e ele como contratante tomar as devidas providências.
Como a maioria dos casamentos que realizo é quase tudo por indicação, amigos de amigos, parentes, entre outros, tenho bastante afinidade com futuros noivos que nos conhecem e sabem como é a nossa maneira séria e prestativa de trabalhar e se alguém nos trata mau não tenho o menor problema de me dirigir ao noivo ou o diretor da festa que é muito comum nos casamentos que realizo, vou lá e exponho o que está acontecendo.
Se cada fotógrafo e cinegrafista informasse aos noivos antecipadamente que essa situação que a meu ver é absurda existe e pode ocorrer no casamento deles, antes de fecharem o contrato com os buffets eles seriam mais cautelosos e mudaria em muito a maneira em que tratam os profissionais que como eles estão ali trabalhando.

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Re: Por que comemos embaixo da escada?

Mensagempor VPVideo » 22 Nov 2016, 21:02

Marcos Komka escreveu:Na minha opinião essa situação só acontece por desinformação dos noivos, porque é algo chocante e repulsivo e quando eu conto para os noivos eles ficam chocados, isso inclusive na minha opinião particular denigre a imagem do buffet.

Fico pensando até que ponto é ruim para todo mundo. Eu se fosse cliente me perguntaria porque as pessoas que eu contratei estão me incomodando com essas coisas e não estão se entendendo.
Há muitas coisa pra se analisar nos problemas ou "problemas" no mercado de execução de eventos sociais.
Cada vez mais a figura da assessoria para casamentos está em evidencia e é altamente profissional fazer reunião com fornecedores para ajustar modos e expectativas na execução do evento, onde tudo vai bem todos ganham.
Mas ainda existe muito os desacertos, principalmente porque temos de tudo no mercado.
É comum o buffet ser o responsável pela programação principal do evento e não considerar algumas coisas importantes, como também é muito comum foto e vídeo desconsiderarem isso na relação.
O mercado está mudando e muda para todos.

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Re: Por que comemos embaixo da escada?

Mensagempor Marcos Komka » 01 Dez 2016, 10:57

Caro colega do VPVideo, entendo o seu ponto de vista sob o prisma do cliente, a culpa não é dele e entendo que quando ele paga espera um serviço condizente com o que ele espera, porém, o evento como um todo envolve profissionais de diferentes áreas onde deveria predominar o sentimento de solidariedade, empatia e interesse mútuo para que tudo desse certo no evento do qual os noivos são os contratantes destes diferentes profissionais - só que infelizmente alguns buffet's quando os noivos não contratam os profissionais indicados por eles, tentam de todos os modos dificultar o serviço de equipes contratadas à parte pelos noivos, quando a figura da assessoria aparece ajuda muito se fosse imparcial e não funcionária do buffet porque ela vai ver em primeiro lugar o interesse do buffet, até mesmo acima do interesse dos noivos, se no evento acontece alguma coisa que esteja prejudicando o seu serviço de foto e vídeo você vai reclamar para quem?
Não me refiro somente a questão da alimentação, digo iluminação, talvez o uso de uma tomada para um carregador, um lugar para você guardar seu material sobressalente, entre outros. Se ficar quieto e der algo errado, lá na frente os noivos vão ficar mais chateados com você por não ter informado o que estava acontecendo do que com o buffet, porque quando os noivos pagam valores dezenas de vezes mais caros do que foto e vídeo, dói mais saber que deu algo errado e não foram informados.
Entendo também a preocupação de levar esse assunto aos noivos que você não conhece, já no meu caso é diferente porque praticamente meu forte é indicação e já conheço na maioria das vezes quem me contrata e tenho toda a liberdade de dar as referências merecidas de todos os buffet's que conheço, num dos casos que citei o buffet do Ipiranga era excelente na parte gastronômica e econômica para o noivos, elogiava o buffet por isso, porém, também mencionava o tratamento que eles davam para nós profissionais o que deixava os noivos bem abismados com tal situação e corrigiam de imediato na contratação e dias antes do evento, sendo que certa vez noivos amigos nossos no dia do evento deles "mandaram" colocar uma mesa para nós ao lado da mesa deles e nós éramos servidos na seqüência após os noivos.
Entendo que no nosso ramo há muitos amadores que se dizem profissionais e há muitos "péssimos" profissionais em comportamento; muitas vezes quando fazemos amizade com o pessoal do buffet eles trazem a nossa atenção o péssimo comportamento de equipes que foram lá e trataram mal garçons, beberam bebidas alcoólicas, deram em cima das convidadas ou seja devido ao mau comportamento de uns, a tendência de alguns Buffet's seja generalizar e achar que todos são maus profissionais em comportamento.
O seguimento que eu faço tem uma figura principal e mais importante que o assessor e até mesmo mais importante que o noivo, é um amigo íntimo, às vezes parente, pai ou do noivo ou da noiva que conhece todos e é o responsável por tudo, chama-se diretor da festa, este fiscaliza tudo desde a musica do dj até o que está sendo servido e a nós também, ele tira a carga do noivo ou seja tudo que precisar ser decidido ali é com ele, os noivos ficam ali para aproveitarem ao máximo este dia que tem de ser um dos dias mais felizes da vida deles sem preocupação nenhuma, este diretor da festa normalmente se reúne com os noivos que passam todos os detalhes para ele de tudo o que vai acontecer e querem que ele seja o responsável para que aconteça, este diretor procura conhecer tudo e todos antes, e todos sabem que ele manda, então quando dá algum problema eu vou lá e me dirijo a ele, mas nem precisa o tempo todo ele está andando pelo evento e perguntando se está tudo bem. A meu ver essa sim é a pessoa indicada para que tudo dê certo, porque ela conhece os noivos e o que eles querem e é acima de tudo imparcial para com todos os profissionais envolvidos no evento.
De fato o mercado está mudando, percebo hoje que as pessoas que nos contatam para nos contratar estão fazendo isso até mesmo antes de contratar outros serviços como buffet; telefonam, reservam a data e procuram buffet e outros depois, porque a meu ver é àquela máxima: o que vai ficar são as fotos e a filmagem, tudo mais passa.
O que percebo também é que muitos fotógrafos indicados por buffet's não agradam as noivas quer pelo serviço apresentado quer principalmente pelo preço, no qual provavelmente está embutido alguma forma de agrado financeiro ou outro pela indicação. Eu tenho comprometimento com os noivos, se me falam que estão pensando em contratar tal e tal buffet e sei que há algo que deu errado em algum evento passado que estive e presenciei eu procuro relatar, também relato o tratamento para conosco. Já fiz casamentos em buffet's de nome no bairro dos Jardins em São Paulo e os noivos conversaram conosco que o buffet cobraria o valor individual de cada membro da equipe e encareceria muito para eles, mencionei se poderiam pelo menos nos servir água e talvez refrigerantes; sem problemas, diferente dos buffets que cobram pela gente e não servem nada e nos tratam mal e dificultam nossos serviços.
Vivemos na era da informação e uma referência negativa espalha-se muito mais rápido do que uma referência positiva principalmente nas redes sociais e fóruns de casamentos entre outros, eu me coloco no lugar de um noivo contratando um buffet e se fico sabendo logo de cara a forma como eles tratam os fotógrafos e cinegrafistas entre outros, procuro enxergar além do óbvio, e o restante do serviço como não deve ser, se são mesquinhos e desonestos quem me garante que vão cumprir o que prometeram.
Quanto mais pessoas souberem deste mau comportamento por parte dos buffets, mais eles irão se policiar, posso dizer hoje que está sendo raro acontecer comigo, mas recentemente aconteceu eu um buffet em Carapicuiba depois de muito tempo, não titubeei falei com o diretor do casamento que chamou atenção da assessora e após a volta do noivo de lua de mel entrou com uma reclamação formal junto aos donos do buffet.
Justiça seja feita, muitas vezes nem os donos do buffet sabem o que está acontecendo, às vezes são os funcionários, terceirizados e outros que tem o hábito de tratar mal profissionais de foto e vídeo, convidados e outros; é uma situação que para ser corrigida tem de ser trazida a publico, e quando os colegas de profissão tem a oportunidade de levar o assunto é um ponto a mais para nossa classe.


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